O nº 277 da Rua Benedito Telmo Coupê - a antiga Rua Fresca - no Centro Histórico de Paraty (RJ), está marcado para sempre na minha memória. Foi nesse sobrado colonial, com telhado de quatro águas, esquadrias azuis, janelas de guilhotina e paredes caiadas de branco, que Sol e Chifre, meu primeiro livro, foi apresentado ao mundo pela primeira vez.
Foi nesse mesmo imóvel que a Casa Gueto, promovida pela Editora Patuá, ganhou vida em mais um ano de celebração à literatura brasileira. Ao lado disso, a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) movimentava a cidade com novas cores e contornos.
Foi a minha primeira vez em Paraty.
A minha primeira vez na Casa Gueto.
E a minha primeira vez na FLIP.
Foi o lançamento do meu primeiro livro.
Eu não estava sozinho.
Estava cercado de pessoas com um sonho em comum: a literatura.
E por falar em pessoas, não posso deixar de dizer: a literatura é o encontro de gente. Gente de todos os jeitos. O livro - e as histórias literárias - só acontecem através desse encontro plural, real, humano.
É através do interesse de outras pessoas que Sol e Chifre ganha vida. Não foi quando terminei a última palavra da história e disse: “acabei”. É quando você chega à página final e o livro te toca em algo.
A vocês, meu muito obrigado!
Cada conversa, abraço, ideia trocada - tudo isso me transforma, me humaniza. Porque ser humano, vivo, emocionado, real... é isso que importa.
Celebrar a literatura foi algo realmente especial.
O vermelho, o laranja, o acobreado e o amarelo da capa de Sol e Chifre chamaram a atenção de olhos vindos de todos os cantos - de tantas gentes, de tantos Brasis. Uma coisa é certa: eu via nos rostos de cada um a estranheza ao lerem o título. E que bom que isso aconteceu.
Espero que, nos próximos anos, mais e mais pessoas estranhem, revirem os olhos, mexam seus músculos faciais e afastem a apatia de viver. Que se desafiem a enxergar novas perspectivas e histórias.
Tenho uma única certeza: será uma leitura de incômodos, perguntas e desafios. Não será reconfortante - mas aí está a graça.
A vida é dolorosa. Nada prática, nada cômoda. Nunca atende às nossas expectativas. E, justamente por isso, é linda. Essa é a leitura que espero que vocês façam. Uma leitura simplesmente humana.
Ao lado da Casa Gueto, estava a Igreja de Santa Rita, construída em 1722, a mais antiga da cidade de Paraty. Sua fachada branca, simples e simétrica no estilo barroco, com uma torre lateral e porta em arco central... É magnética.
É curioso isso, porque Santa Rita de Cássia, padroeira das causas impossíveis, foi uma figura de fé profunda, marcada por uma vida de dor, perdão e devoção. Na tradição da Igreja Católica, é retratada como alguém que, desde cedo, cultivava o amor por Nossa Senhora - e cuja vida é um exemplo de perseverança.
Sol e Chifre já nasce abençoado.
Publicar um livro por uma casa editorial que celebra a literatura brasileira parecia impossível pra mim - até o dia 2 de agosto de 2025, quando vi meus escritos em forma de livro, nas minhas mãos, pronto para ir ao encontro de tantas gentes.
O impossível, para alguém que só tinha sonhos e um horizonte de impossibilidades, agora é possível.
Eu poderia me estender em tantas alegorias, significados, e como o número 7 me segue até no número da casa onde o livro foi lançado. Mas não vou me demorar mais...
Estou claramente emocionado - e feliz.
E o que desejo é isso:
Encontrar pessoas que leiam essa história e que vivam ela junto a mim - nesse mundo místico, real, traiçoeiro, quente, alegre e reconfortante de Sol e Chifre.
Obrigado, Editora Patuá.
Obrigado, Eduardo Lacerda.
Obrigado, Casa Gueto 2025 - Homenagem à Dalila Teles Veras.
Obrigado a você que me lê!
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