Comento a eleição para a AVLA e os caminhos da literatura

Na conversa a seguir, concedida ao jornalista Bruno Marques, na Rádio Valinhos FM 87,9 falo sobre um momento simbólico da minha trajetória: a eleição para a Academia Valinhense de Letras e Artes (AVLA), onde passo a ocupar a Cadeira nº 39, cujo patrono é Roque Palácio.

A entrevista percorre temas que atravessam minha formação como escritor e comunicador, a repercussão do romance Sol & Chifre, os caminhos da literatura independente, o papel do escritor no Brasil contemporâneo e os deslocamentos culturais entre Pernambuco e o interior paulista.

 

Transcrição da entrevista:

Abertura e apresentação

Bruno Marques:
De volta ao Jornal Bom Dia. Estamos aqui na Rádio Valinhos Online com o escritor Fabson Gabriel Pereira. Bom dia, Fabson, tudo bem?

Fabson Gabriel Pereira:
Bom dia, Bruno. Tudo bem, um prazer estar aqui com você de novo — dessa vez online, né?

Bruno:
Verdade. Apresentamos o escritor Fabson Gabriel Pereira, autor de Sol & Chifre e, agora, novo imortal da Academia Valinhense de Letras e Artes.

Fabson:
Pois é, essa novidade! Estou super feliz com esse reconhecimento. É uma alegria muito grande.

A nomeação para a AVLA

Bruno:
Você esteve aqui em novembro falando do livro. Você esperava que, a partir dessa repercussão, viesse essa nomeação para a Academia?

Fabson:
Eu encaro ser eleito para integrar o corpo da Academia Valinhense de Letras e Artes como um trabalho sustentado pela responsabilidade, pela continuidade histórica e pelo fomento à literatura brasileira.
Não posso dizer que foi uma surpresa total, porque houve uma inscrição, mas fiquei muito feliz com a acolhida da associação, com a análise do meu perfil, do currículo e da minha trajetória na literatura.

Bruno:
O anúncio foi feito na semana passada. Você e a Eliete Tordinho foram nomeados, e eu já corri para te chamar para essa entrevista agora como imortal.

Fabson:
Eu vejo essa entrada na AVLA não como status ou título, mas como uma decisão coletiva, construída por consenso e votação. Cada cadeira tem um patrono, que representa um perfil intelectual e cultural.
Fui eleito para a Cadeira nº 39, cujo patrono é Roque Palácio, um profissional da comunicação e das artes com atuação plural aqui em Valinhos.

Sobre Roque Palácio

Bruno:
Roque Palácio é uma figura muito histórica na cidade.

Fabson:
Sim. Ele foi comunicador, artista múltiplo, diretor de teatro, poeta, apresentador de programas. Existe até um centro cultural da terceira idade com o nome dele aqui na cidade.
Quando soube que ocuparia essa cadeira, fiquei muito emocionado. Me senti conectado a ele: ele era comunicador, eu também sou; era carnavalesco, e eu venho de uma cidade com forte tradição de carnaval. É uma honra enorme.

Repercussão do livro Sol & Chifre

Bruno:
Você sempre compartilha fotos de leitores lendo o livro em vários lugares. Como você vê essa repercussão?

Fabson:
Lancei o livro na FLIP, em agosto do ano passado. A repercussão tem sido muito bonita porque a história toca as pessoas num lugar muito íntimo.
É uma narrativa sobre relações familiares, sobre a busca de uma filha pelo amor do pai. Eu queria falar da nossa brasilidade, mas não esperava que tocasse as pessoas de forma tão profunda.
Muitos leitores dizem que, apesar de ser uma história brasileira, ela tem um apelo universal — porque, no fim, todos nós temos histórias de família.

 Teaser do livro

Bruno:
Para quem ainda não leu, qual seria um teaser rápido?

Fabson:
É uma história para se ler com um lencinho do lado. Se você gosta de narrativas mais profundas, emocionais, e se considera uma pessoa sensível, acredito que vai gostar muito dessa leitura.

Formato e venda do livro

Bruno:
O livro está em quais formatos?

Fabson:
Por enquanto, apenas no formato físico. Ele está disponível na Amazon, no site da Editora Patuá, e também comigo. Quem mora em Valinhos pode entrar em contato pelas redes sociais para combinar a entrega.

Eventos literários e circulação

Bruno:
Você também tem participado de muitos eventos literários.

Fabson:
Sim. Estar nesses espaços é fundamental, principalmente no início da trajetória.
Participei da MOLI – Mostra Literária de Campinas, no MIS, que reuniu autores independentes da região. Também estive no primeiro Festival Literário de Itatiba.
São eventos plurais, acolhedores, que ajudam a literatura a circular fora do eixo das grandes editoras.

Pernambuco, identidade e adaptação

Bruno:
Como tem sido essa adaptação cultural, saindo de Recife para o interior paulista?

Fabson:
Esse processo, na verdade, resultou na escrita do Sol & Chifre. Eu me entendia muito pernambucano, e pouco brasileiro.
Quando me mudo para a região de Campinas, descubro um Brasil diferente da capital paulista. Isso me fez redescobrir a brasilidade.
Escrever esse livro e publicá-lo aqui foi muito coerente com esse momento da minha vida.

O escritor hoje: múltiplas funções

Bruno:
Hoje o escritor precisa escrever, divulgar, fazer marketing…

Fabson:
Exatamente. Escrever um livro é um trabalho artístico, mas ainda assim é trabalho.
Hoje o escritor precisa ser também o próprio divulgador. Quem tem formação em jornalismo ou marketing, como eu, acaba tendo um bônus.
Muitos escritores são talentosíssimos, mas têm dificuldade na comunicação, nas redes sociais — e isso impacta diretamente a circulação do livro.

Formação de leitores

Fabson:
A editora sempre diz que os primeiros leitores são família, amigos, colegas de trabalho — como uma cebola, em camadas.
No meu caso, as pessoas do meu trabalho me surpreenderam muito. Foram as primeiras a comprar o livro na pré-venda.
Agora começo a receber leitores que não me conhecem, e isso é muito rico. As interpretações são valiosas e emocionantes.

Planos para 2026

Bruno:
E para 2026, quais são os planos?

Fabson:
Assumir a cadeira é assumir um trabalho, com responsabilidade e continuidade histórica.
Vou continuar divulgando Sol & Chifre, que ainda é um “bebê”. O livro tem muito a acontecer.
Tenho esboços de novos projetos, mas o foco será a divulgação. 2026 é um ano complexo — eleições, Copa do Mundo — então exige estratégia.

Encerramento e contatos

Bruno:
Onde as pessoas podem te encontrar e adquirir o livro?

Fabson:
Minhas redes sociais são @fabsonpereira.
Sol & Chifre está na Amazon, no site da Editora Patuá e também comigo, via redes sociais.

Bruno:
Muito obrigado, Fabson, e sucesso nessa nova fase.

Fabson:
Eu que agradeço o espaço e a recepção de sempre.