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| Acadêmicos Cida Reis, Fabson Gabriel Pereira, Josefina Palácio, André Rosa. (Foto: Marcos Parodi) |
Na sexta-feira, dia 6, eu fui empossado como acadêmico vitalício na Academia Valinhense de Letras e Artes (AVLA), na Câmara Municipal de Valinhos. Confesso que ainda estou processando tudo. Eu que venho de uma família simples, por muito tempo, eu achei que certos espaços não eram pra mim. Mas na sexta-feira eu estava ali. De pé. Sendo recebido. Sendo ouvido. Sendo reconhecido. A cerimônia foi mais do que um título. É mais um sinal de que tudo pelo que venho batalhando faz sentido.
Agora passo a ocupar a Cadeira nº 39, que tem como patrono o comunicador e artista Roque Palácio, alguém que contribuiu muito para a cultura de Valinhos e que merece toda reverência.Quando eu cheguei lá, o discurso já não fazia sentido
Eu tinha preparado um discurso antes de ir. Tinha escrito, organizado, ensaiado mentalmente… mas assim que cheguei, fui recepcionado com tanto carinho, tanta humanidade e tanta energia boa, que percebi que aquele texto não representava mais o que eu estava sentindo.A professora Josefina Palácio, irmã do Roque Palácio e também acadêmica da AVLA, me acolheu de uma forma tão generosa, conversamos um pouco, e eu fui recebendo abraços, palavras gentis e olhares sinceros.
Ali, eu entendi: Era um momento para falar com o coração. E foi isso que eu fiz.
Minha posse não é só minha
Durante a minha fala, eu pedi a bênção aos meus pais. E eu pedi porque eu sei exatamente o que significa estar ali. Eu venho de uma família simples. Quando eu digo que estou emocionado, não é por vaidade. É porque eu sei que, quando eu subo um degrau, eu não subo sozinho. Eu carrego comigo uma história inteira. Muitas pessoas que foram silenciadas pelo tempo, pela falta de oportunidade e pelo esquecimento. Essa posse não é apenas um título honorífico. Para mim, ela representa uma responsabilidade. É também a memória de muitos.Acredito que a literatura é uma ferramenta de dignidade e transformação social. E estar na AVLA me fortalece ainda mais nesse compromisso: incentivar a leitura e valorizar a cultura como algo essencial, não como luxo.
Transcrição completa do meu discurso:
Discurso de Posse – Academia Valinhense de Letras e Artes (AVLA)
"Boa noite, pessoal. Eu preparei um discurso antes de vir. Porém, chegando aqui, fui recepcionado pela professora Josefina [Palácio]. Nós conversamos um pouco, fui recebido por todos vocês, e eu percebi que o discurso que eu havia planejado não fazia mais tanto sentido para este momento. Então eu decidi me expressar de forma livre.
Eu, como escritor, agora com livro publicado e empossado aqui na Academia Valinhense de Letras e Artes, vou deixar as palavras fluírem como sempre deixo: através das minhas mãos, na tela do computador. Mas eu também queria quebrar um pouco do decoro.
Eu queria pedir a bênção à minha mãe e ao meu pai. Bênção, mãe. Bênção, pai.
Porque, sem eles, eu não estaria aqui. Essa não é uma jornada fácil. Eu venho de uma família simples, com avós analfabetos. E eu sou o primeiro da minha família a entrar em uma universidade federal pública, acessar o ensino superior e, hoje, receber o reconhecimento de uma cidade, ocupando esta posição.
Isso representa muito. Não só para mim, mas para toda a minha família. Nós nos mudamos para cá há cinco anos. Valinhos nos acolheu. É uma cidade pacata. Eu venho de uma cidade grande, cheia de agitação. Recife é um polo multicultural, é imenso. Então essa mudança foi uma quebra muito grande de estilo de vida. Eu tive que me adaptar.
E a cidade de Valinhos me acolheu de uma forma inimaginável, de um jeito que eu não esperava. Aqui, a minha vida fluiu. Eu conquistei muitas coisas em território valinhense. A terra do figo roxo tem um espaço mais do que especial na minha vida. Embora eu seja pernambucano, sim, e orgulhoso como bom recifense — todo mundo sabe como é o orgulho do recifense de ser recifense — Valinhos, com certeza e sem dúvidas, ocupa um espaço enorme na minha vida.
E mais ainda agora, porque eu tenho também vocês. Então eu queria agradecer a este espaço, por me receber, por vocês ouvirem essa história, por serem amantes das artes e das letras, e por acreditarem que a cultura é uma ferramenta capaz de levar dignidade e transformação social. Acredito que nós, juntos, podemos transformar a nossa cidade e o mundo, como eu bem disse aqui no juramento.
Eu queria também aproveitar este momento para saudar Roque Palácio, que foi comunicador e artista, e que representou muito para a cultura de Valinhos. Principalmente aqui, na presença da professora Josefina [irmã do Roque Palácio], que me abraçou e me acolheu quando soube dessa nomeação. Hoje, inclusive, é uma data simbólica, porque marca a data do falecimento dele. Veja que curioso: hoje estamos aqui.
Então, meu muito obrigado a todos. Boa noite. Eu agradeço essa acolhida de todos vocês. Um viva à literatura, e vida longa à AVLA. Muito obrigado."
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| (Foto: Marcos Parodi) |


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