Transcrição adaptada: Palavra Livre (Valinhos FM)
Data: 10 de março de 2026
Apresentação: André Rosa e Isabela Buzanello
Convidado: Fabson Gabriel Pereira
Locutor (Vinheta/Intro): Este programa é uma produção independente e todo conteúdo é de responsabilidade de seus idealizadores. Está começando Palavra Livre. Entrevistas, curiosidades da cidade, terceiro setor, utilidade pública, músicas e muito mais você acompanha a partir de agora. Apresentação: André Rosa e Isabela Buzanelo.
Isabela Buzanello: 18h06. Vamos a mais um Palavra Livre. Boa noite para você que está chegando agora, esteja sempre conosco. Eu sou a Isabela Buzanello e cumprimento o André Rosa. Boa noite, André.
André Rosa: Boa noite, Isabela. Boa noite, ouvintes da Valinhos FM. Hoje um programa especial com um autor especial, um acadêmico. Mas antes, queria convidá-los todos para estar conosco através das redes sociais e do dial, 87.9. Mande seu recado, sua pergunta e seu comentário.
Isabela Buzanello: Hoje, terça-feira, 10 de março de 2026. Mês da mulher, temos que destacar. E hoje apresenta nosso convidado.
André Rosa: Exatamente. Hoje a gente vai conversar com o Fabson Gabriel Pereira. Ele é escritor e jornalista, natural do Recife e hoje morador aqui de Valinhos, há 5 anos. Lançou a obra Sol e Chifre, publicada pela editora Patuá, com lançamento nacional. Boa noite, Fabson.
Fabson Gabriel: Boa noite, Isabela. Boa noite, André. Um prazer retornar aqui ao Palavra Livre.
André Rosa: Sabe que você veio no programa 120 e agora estamos no 138. Seja muito bem-vindo. Saiu uma reportagem no Diario de Pernambuco sobre sua ascensão na academia e você disse: "Ser nomeado para a Academia Valinhense de Letras significa honrar a memória dos meus velhos, meus amados avós, a quem dediquei Sol e Chifre". Por que a dedicatória aos seus avós? Qual o contexto deles nesse emaranhado da vida?
Fabson Gabriel: Sol e Chifre, na verdade, é um livro que aborda o seio familiar. Eu quis trazer histórias sobre a família e as relações que sustentam essa estrutura. Diferente da história do livro, eu cresci em um ambiente muito acolhedor, mas eu precisava apresentar uma situação com um conflito para o romance se desenvolver. A história foca na Lena, uma menina que vê sua família se desfazer após um problema de saúde da mãe.
Sobre meus avós: venho de uma família muito simples. Eles não tiveram oportunidade de aprender a ler e faleceram analfabetos. Mas o legado deles fez com que eu pudesse estar aqui hoje escrevendo. A protagonista do livro também é analfabeta na infância e só aprende a ler adulta. Esse livro é a representação de que a memória dessas pessoas que foram privadas de oportunidades não passou em vão. É um legado que faço questão de reforçar. Família é felicidade, mas também instabilidade, e o livro traz esses altos e baixos.
André Rosa: Interessante. Quem quiser adquirir o livro, como faz?
Fabson Gabriel: Está disponível na Amazon, no site da editora Patuá e comigo através das redes sociais (@FabsonPereira). Por enquanto, apenas versão física.
André Rosa: E a repercussão?
Fabson Gabriel: Tem sido muito legal. Como venho do jornalismo e não tinha nome na literatura, é difícil ser lido no Brasil. Mas o público tem sido ótimo, com resenhas e fotos de leitores de vários lugares do Brasil.
Isabela Buzanello: Fabson, você citou na imprensa que o país tem mais de 9 milhões de analfabetos funcionais. Você acredita ser possível mudar essa realidade?
Fabson Gabriel: Sou muito positivo. Nossa população leitora é numerosa, maior que a de países como Portugal. O discurso de que "brasileiro não gosta de ler" é fácil, mas falso. As pessoas precisam ser expostas a literaturas com as quais se sintam confortáveis. Existem muitas iniciativas, como o Felitiba (Itatiba), a MOLI (Campinas) e as Bienais. Em Pernambuco, há um circuito literário que atravessa o estado. Os locais estão cheios, há visibilidade.
André Rosa: Sabia que em Valinhos estamos planejando uma feira literária para junho? Vamos precisar da sua ajuda. Já está no calendário da Academia (AVL). Queremos usar o pavilhão da Festa do Figo para levar música, literatura e rodas de conversa.
Fabson Gabriel: Opa! Pode contar comigo. Já ganhei a noite com essa notícia. Vamos chamar as editoras da região e os escritores. Literatura é um movimento humano, é sobre acreditar no ideal de que ler é bom, especialmente para termos uma visão mais plural e brasileira do nosso país.
André Rosa: Com certeza. Vamos ler os recados dos ouvintes?
Isabela Buzanello: A Anne Souza mandou boa noite e disse: "Recife tem um orgulho enorme desse garoto. O livro é uma história linda". Ela é sua prima, né?
Fabson Gabriel: Sim, minha prima. Muito obrigado, Anne! É bom ver que as pessoas se reconhecem na história.
Isabela Buzanelo: A Edilma Antônia também mandou parabéns, assim como Eliana Buzanelo e Fábio Matias.
Fabson Gabriel: O Fábio é meu pai!
Isabela Buzanello: Temos também José Cavalcante, Flavson Pereira...
Fabson Gabriel: Flavson é meu irmão.
Isabela Buzanello: E o Ronaldo, da Livraria Armazém, disse que está saindo para ler Guimarães Rosa em grupo.
Fabson Gabriel: O Ronaldo é uma figura importantíssima da cultura e do mercado literário aqui em Valinhos.
André Rosa: Fabson, fale sobre a parceria com o Flavson nas ilustrações do livro.
Fabson Gabriel: Foi uma parceria de um ano. Eu escrevia e ele ia fazendo rascunhos digitais (manuais, sem IA) no tablet. Foi maravilhoso ver o olhar dele sobre o meu imaginário. O Flavson também foi premiado no concurso da Academia recentemente. Ele ficou tão surpreso que pulou da cadeira, pois tinha esquecido que estava inscrito.
André Rosa: Esse reconhecimento artístico é fundamental. O troféu pode não ter valor comercial alto, mas o significado é imenso. Agora, vamos para um rápido intervalo comercial e já voltamos.
(Intervalo Comercial)
Isabela Buzanello: 18h34. Estamos de volta com o escritor e acadêmico Fabson Gabriel Pereira. Fabson, sobre o momento da sua posse na Academia Valinhense de Letras: observamos que foi a mais emocionante. Você improvisou o discurso e chorou. Por quê?
Fabson Gabriel: Vocês vão me fazer chorar de novo! (risos). Ver essa trajetória de 5 anos em Valinhos e a nomeação na AVL me trouxe uma retrospectiva intensa. Pensei nos meus avós e na luta deles. Eu não acho justo esquecer pessoas tão nobres que lutaram pela sobrevivência. Ocupar esse lugar é honrar a memória deles. Lembrei de quando eu era criança e tentava ensinar minha avó a pegar no lápis em uma lousa branca.
André Rosa: Vou te contar um "bastidor": tivemos sete candidatos para a vaga. Você e a Eliete Tordin foram os eleitos. Uma das escritoras justificou o voto em você pela "consistência da obra e pela proposta cultural" que você enviou à Academia. Ninguém nunca tinha enviado uma proposta de trabalho junto com a candidatura.
Fabson Gabriel: Eu visualizei a entrada na Academia como uma oportunidade de ser um agente ativo, de somar forças para resgatar a humanidade através da literatura.
André Rosa: E o Fabson já se propôs a criar um site para a Academia para colocarmos as biografias dos acadêmicos e dos patronos. O seu patrono, na cadeira 39, é o Roque Palácio.
Fabson Gabriel: Sim. Quando soube, fui pesquisar sobre ele. Conversei com a irmã dele, a Profa. Josefina Palácio (também acadêmica). Descobri que o Roque e eu temos muitas similaridades: ele era comunicador, gostava de carnaval, era escultor e diretor de teatro. É essencial resgatar esses legados.
André Rosa: O pai da Josefina, Antônio Palácio Neto, também foi um dos fomentadores da Festa do Figo. É muita história que as crianças hoje não conhecem.
Fabson Gabriel: Se depender de mim, seremos uma ponte para resgatar isso. O Roque foi gigante, mas falta presença dele na internet. Quem sabe revivemos o "Troféu Presença", que ele criou, com o nome dele?
Isabela Buzanello: O José Cavalcanti comentou que o livro fala de passado, presente e futuro. E lembrando: no dia da posse, o Fabson também recebeu menção honrosa no concurso literário com o texto Maresia. Pode ler um trecho para nós?
Fabson Gabriel: Posso sim. (Lê trecho do texto "Maresia"). Esse texto brinca com a natureza e o sobrenatural, focando em uma figura feminina que busca acolhimento.
André Rosa: A vida é assim, como dizia o Manuel Carlos: a história está no cotidiano, no passar a manteiga no pão.
Fabson Gabriel: Exatamente. A vida não para, a gente só segue o fluxo tentando ser a melhor pessoa possível.
André Rosa: Quais suas palavras finais para o público hoje?
Fabson Gabriel: Eu diria: seja uma ponte. Nas relações, nas atitudes. A palavra "conexão" está banalizada, prefiro "vínculo". Vínculos são poderosos. Sejam pontes para criarmos coisas juntos.
André Rosa: É isso. Na próxima quinta teremos as jovens premiadas Eveline Nogueira e Bárbara Pereira Machado. Isabela?
Isabela Buzanello: Agradecemos ao Fabson e ao pessoal de casa. Na técnica hoje, Márcio Casaroto e Léo Garcia. Boa noite e até quinta!
Locutor (Vinheta/Encerramento): A Rádio Valinhos FM apresentou Palavra Livre. De volta na próxima terça-feira.
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