Uma alegria ver minha participação na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) destacada na edição de 24 de julho de 2026 da Revista Cultura em 1 Minuto, publicação editada pelo jornalista Adriano Meneses, do Diário Campineiro (SP). 

A matéria destaca minha presença no maior festival literário do país e o trabalho de uma escrita que busca celebrar a complexidade do Brasil.

Agradeço ao Adriano Meneses e à equipe do Diário Campineiro pelo espaço dedicado à literatura e pela oportunidade de compartilhar um pouco da minha trajetória e do meu trabalho.

Seguimos escrevendo, compartilhando histórias e fortalecendo a cultura. 

Leia a matéria completa aqui:

DA REGIÃO DE CAMPINAS PARA A FLIP: FABSON GABRIEL PEREIRA LEVA AO MAIOR FESTIVAL LITERÁRIO DO PAÍS UMA ESCRITA QUE CELEBRA A COMPLEXIDADE DO BRASIL

POR ADRIANO MENESES

Escritor radicado em Valinhos retorna à Festa Literária Internacional de Paraty para ministrar oficina e reencontrar leitores, defendendo a literatura como espaço de imaginação, humanidade e resistência em tempos de inteligência artificial.

A FLIP costuma reunir escritores, leitores e editores em torno dos grandes debates da literatura contemporânea. Mas, entre as ruas de pedra de Paraty, também circulam histórias construídas longe dos grandes centros editoriais. É nesse movimento que retorna o escritor Fabson Gabriel Pereira.

Morador de Valinhos e integrante da Academia Valinhense de Letras e Artes (AVLA), o autor participa da programação paralela da FLIP com a oficina "Literatura, Humanidade e Futuros Possíveis", promovida pela Editora Patuá na Casa Gueto, além de uma sessão de autógrafos de Sol e Chifre, romance lançado no festival em 2025 e que, desde então, percorre festivais, feiras e encontros literários pelo país.

Natural do Recife, Fabson afirma que foi no interior paulista que sua literatura encontrou outra dimensão. Mais do que cenário, Valinhos e a Região Metropolitana de Campinas passaram a integrar sua forma de compreender o Brasil.

SEGUNDO O ESCRITOR, CAMINHAR PELO CENTRO DE CAMPINAS É RECONHECER ECOS DO RECIFE, ASSIM COMO ENCONTRAR SEMELHANÇAS EM CURITIBA, BELO HORIZONTE, RIO DE JANEIRO OU PARAUAPEBAS, NO PARÁ.

Para explicar essa relação, ele recorre à imagem de uma árvore. "Uma árvore se finca no solo, espalha raízes, fazendo conexões com todo o seu entorno. Gosto da ideia de criar vínculos, de contribuir com as pessoas à minha volta. É uma simbiose entre a minha pessoa e o lugar em que habito."

Essa experiência de migração ampliou sua percepção sobre a identidade brasileira. Segundo o escritor, caminhar pelo centro de Campinas é reconhecer ecos do Recife, assim como encontrar semelhanças em Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro ou Parauapebas, no Pará.

"As arquiteturas remetem a diferentes períodos, mas o povo é o mesmo. As belezas e os problemas são os mesmos. É olhando para as similaridades que nos unem que reconheço a brasilidade de todos nós."

Essa ideia atravessa Sol e Chifre, romance que investiga pertencimento, memória, identidade e as contradições sociais do país. Desde o lançamento nacional na FLIP, a obra passou por Valinhos, São Paulo, Itatiba, Campinas, além de integrar eventos como o Circuito Literário de Pernambuco (CLIPE) e a Flipoços, consolidando uma trajetória construída a partir do interior paulista.

Neste retorno a Paraty, Fabson amplia a conversa para além da ficção. A oficina "Literatura, Humanidade e Futuros Possíveis" nasce de inquietações provocadas pelo avanço da inteligência artificial, pela desigualdade social e pelo enfraquecimento da leitura crítica.

Segundo ele, o Brasil vive um paradoxo: ao mesmo tempo em que figura entre os países mais digitalizados do mundo, ainda convive com milhões de pessoas em situação de analfabetismo e profundas desigualdades de acesso ao conhecimento.

"Diante da agressividade com que as big techs empurram o uso das inteligências artificiais para todas as pessoas, percebo que nossa capacidade de interpretação está sendo profundamente impactada."

"O romance é o retrato de uma família, mas também um recorte social de um período que ainda diz muito sobre o Brasil de hoje. Meu trabalho é uma resposta às injustiças sociais, ao analfabetismo e à falta de oportunidades."

Mais do que publicar livros, o autor acredita que a literatura continua sendo um exercício de reconstrução da sensibilidade. "Estamos robóticos, apáticos e sem perspectivas. Minha proposta é justamente o contrário: celebrar a nossa humanidade a partir da nossa complexa brasilidade."

Um ano após a estreia de Sol e Chifre, a maior conquista, afirma, não está apenas na circulação do livro pelos festivais, mas nas mensagens recebidas de leitores espalhados pelo país. "Sempre que recebo uma mensagem emocionada, fico feliz. É mais um passo dessa caminhada que se realiza."

Para o escritor, o problema não é a quantidade de leitura, mas a qualidade da interpretação. "Lê-se muito. Mas a leitura ativa, aquela que reage sobre o pensamento, parece estar adormecendo."

"É justamente aí que a literatura se diferencia das máquinas. A literatura não desaparece porque ela reage diante do leitor. O fazer literário é um mistério imprevisto. É uma trança entre observação, imaginação e memória. Estamos falando de subjetividades. Enquanto houver quem crie ficção e quem a leia, interprete e recrie em sua imaginação, a literatura continuará imaginando todos os futuros possíveis."

Ao voltar à FLIP um ano depois do lançamento de Sol e Chifre, Fabson vê sua participação como a continuidade de um projeto literário que pretende responder às desigualdades por meio da palavra.

Assim, ao retornar à FLIP, Fabson Gabriel leva consigo mais do que um romance ou uma oficina. Leva a convicção de que, em um tempo dominado por algoritmos e respostas instantâneas, a literatura continua sendo um dos poucos lugares onde o Brasil ainda pode se reconhecer em toda a sua complexidade — e imaginar, coletivamente, outros futuros possíveis.

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